Triplo salto

Triplo salto
Olímpico desde 1896 H / 1996 S
Desporto Atletismo
Praticado por Ambos os sexos
Campeões Olímpicos
Tóquio 2020
Homens Pedro Pichardo
Portugal Portugal
Mulheres Yulimar Rojas
 Venezuela
Campeões Mundiais
Doha 2019
Homens Christian Taylor
 Estados Unidos
Mulheres Yulimar Rojas
 Venezuela

Triplo salto (português europeu) ou salto triplo (português brasileiro) é uma especialidade olímpica de atletismo que requer uma combinação de velocidade e técnica do atleta que o pratica. Os praticantes deste esporte são, no português do Brasil, chamados de triplistas.[1][2]

História

Fontes históricas dos Jogos da Grécia Antiga mencionam saltos de até 15 metros de comprimento. Isto fez com que pesquisadores e historiadores concluíssem que esta distância deveria ter sido alcançada com uma série de saltos, o que levou ao conceito moderno do salto triplo. Porém, não há nenhuma evidência deste salto ter sido incluído nos Jogos da Antiguidade e é possível que o registro de distâncias tão grandes possam ter sido mais fruto da licença poética dos autores de poemas sobre as vitórias gregas do que uma tentativa de fazer um registro apurado dos resultados.[3]

Na mitologia irlandesa, o geal-ruith (salto triplo) era um evento disputado nos Jogos Tailteann, da Irlanda pré-cristã, desde datas tão antigas quanto 1829 a.C.[4]

O salto triplo faz parte da competição olímpica desde sua primeira edição moderna em Atenas 1896. O primeiro campeão olímpico foi o americano James Connolly.[5] Nos primeiros Jogos porém, os dois primeiros pulos do salto eram dados no mesmo pé e então o salto final.[6] Assim como no salto em distância, no início também havia a modalidade do salto triplo sem corrida, apenas com a impulsão do corpo saindo da inércia, modalidade não mais disputada. Ele estreou para as mulheres apenas em Atlanta 1996, exatamente cem anos depois de sua introdução nos Jogos Olímpicos, sendo vencido pela ucraniana Inessa Kravets, que também é a recordista mundial da prova, com 15,50 m.[7] O recorde mundial masculino é do britânico Jonathan Edwards, com 18,29 m.[8] Os atuais campeões olímpicos são Christian Taylor dos Estados Unidos e Caterine Ibargüen da Colômbia.

De todas as modalidades do atletismo olímpico, esta é a de maior tradição para o mundo lusófono. O Brasil tem quatro grandes nomes na história do salto, com Adhemar Ferreira da Silva, recordista mundial e bicampeão olímpico em Helsinque 1952 e Melbourne 1956,[9] Nelson Prudêncio, recordista mundial e medalha de prata na Cidade do México 1968 e bronze em Munique 1972,[10] João Carlos de Oliveira, o "João do Pulo", recordista mundial e medalhas de bronze em Montreal 1976 e Moscou 1980[11] e Jadel Gregório, três vezes medalha de prata em mundiais;[12] por seu lado, Portugal tem Nélson Évora, campeão olímpico em Pequim 2008 e campeão mundial em Osaka 2007[13] e Pedro Pichardo, campeão olímpico em Tóquio 2020.[14]

Técnica e regras

O Salto Triplo é uma combinação de três saltos sucessivos que terminam com a queda numa caixa de areia. A prova inicia-se com uma corrida de impulso. O salto começa com o contacto da perna de impulsão tocando o solo (maior absorção de impacto); segue-se uma pequena flexão da perna de impulsão (maior tensão elástica); nesse momento a perna de impulsão sofre grande pressão (até 6 vezes o peso do atleta), sendo que quanto maior o ângulo maior a pressão. A chamada é realizada com um movimento de patada, onde o saltador faz um movimento brusco com a perna para trás e para cima, tentando assim reduzir a perda de velocidade horizontal. O ângulo resultante de saída é menor que o salto da distância. Por fim, na fase de voo, deve-se corrigir o equilíbrio através da rotação horizontal dos braços, colocando o centro de gravidade no lugar.

Numa outra técnica, o salto realiza-se com a perna de elevação (+ fraca); dá-se o toque sobre a planta do pé (maior absorção de impacto) e o movimento de "patada" ativa na chamada para reduzir a perda de velocidade horizontal; existe maior tempo de contacto com o solo; a fase de voo é próxima da do salto em comprimento, e tem apenas como diferença a menor velocidade horizontal, provocando uma menor fase de voo. Para tal utiliza-se outro tipo de estilo - o tipo peito e o carpado. A correção do equilíbrio é feita através da rotação horizontal de braços, na fase terminal.

A Federação Internacional de Atletismo descreve a mecânica obrigatória do salto da seguinte maneira: "o salto deve ser feito de tal maneira que o atleta pouse, no primeiro salto, com o mesmo pé com que ele saltou após a corrida; o segundo salto deve pousar com o pé trocado, o qual serve de impulsão para o salto final dentro da caixa de areia".[15]

Os saltos são invalidados caso o atleta pise na linha de impulsão, que fica no ponto final da tábua de impulsão. A linha é atualmente coberta por plasticina nas competições oficiais, para auxiliar a arbitragem, pois, caso o atleta pise ali, deixará a marca que prova a invalidação do salto.

O salto é medido da borda da linha de impulsão até a primeira (a mais próxima a linha) marcação do corpo do saltador deixada na caixa de areia. Assim como em várias outras modalidades do atletismo, marcas conseguidas com vento a favor superior a 2 m/s não são consideradas para recordes.[6]

Mecânica e técnica do salto

Recordes

De acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[12][16]

Homens
Recorde
Distância
Atleta
País
Data
Local
Recorde mundial
18,29 m
Jonathan Edwards
Reino Unido
7 agosto 1995
Gotemburgo
Recorde olímpico
18,09 m
Kenny Harrison
Estados Unidos
27 julho 1996
Atlanta 1996
Mulheres
Recorde
Distância
Atleta
País
Data
Local
Recorde mundial
15,67 m
Yulimar Rojas
Venezuela
1 agosto 2021
Tóquio 2020
Recorde olímpico
15,67 m
Yulimar Rojas
Venezuela
1 agosto 2021
Tóquio 2020

Melhores marcas mundiais

As marcas abaixo são de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[12][17]

Homens

Posição Distância Atleta País Data Local
1
18,29 m
Jonathan Edwards
Reino Unido
7 agosto 1995
Gotemburgo
2
18,21 m
Christian Taylor
Estados Unidos
27 agosto 2015
Pequim
3
18,16 m
Jonathan Edwards
Reino Unido
7 agosto 1995
Gotemburgo
4
18,14 m
Will Claye
Estados Unidos
29 junho 2019
Long Beach
5
18,11 m
Christian Taylor
Estados Unidos
26 maio 2017
Eugene
6
18,09 m
Kenny Harrison
Estados Unidos
27 julho 1996
Atlanta
7
18,08 m
Pedro Pablo Pichardo
Cuba
28 maio 2015
Havana
8
18,06 m
Pedro Pablo Pichardo
Cuba
15 maio 2015
Doha
18,06 m
Christian Taylor
Estados Unidos
9 julho 2015
Lausanne
18,06 m
Will Claye
Estados Unidos
24 agosto 2019
Paris

Mulheres

Posição Distância Atleta País Data Local
1
15,67 m
Yulimar Rojas
Venezuela
1 agosto 2021
Tóquio
2
15,50 m
Inessa Kravets
Ucrânia
10 agosto 1995
Gotemburgo
3
15,41 m
Yulimar Rojas
Venezuela
6 setembro 2019
Andújar
4
15,39 m
Françoise Mbango Etone
Camarões
17 agosto 2008
Pequim
5
15,37 m
Yulimar Rojas
Venezuela
5 outubro 2019
Doha
6
15,34 m
Tatyana Lebedeva
Rússia
4 julho 2004
Heraklion
7
15,33 m
Inessa Kravets
Ucrânia
31 julho 1996
Atlanta
15,33 m
Tatyana Lebedeva
Rússia
6 julho 2004
Lausanne
9
15,32 m
Tatyana Lebedeva
Rússia
9 setembro 2000
Yokohama
15,32 m
Hrysopiyi Devetzi
Grécia
21 agosto 2004
Atenas

Melhores marcas olímpicas

As marcas abaixo são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.[18]

Homens

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
18,09 m
Kenny Harrison
Estados Unidos
ouro
Atlanta 1996
2
17.98 m
Pedro Pichardo
Portugal
ouro
Tóquio 2020
3
17,88 m
Jonathan Edwards
Reino Unido
prata
Atlanta 1996
4
17,86 m
Christian Taylor
Estados Unidos
ouro
Rio 2016
5
17,81 m
Christian Taylor
Estados Unidos
ouro
Londres 2012
6
17,79 m
Christian Olsson
Suécia
ouro
Atenas 2004
7
17,76 m
Will Claye
Estados Unidos
prata
Rio 2016
8
17,71 m
Jonathan Edwards
Reino Unido
ouro
Sydney 2000
17,71 m
Pedro Pichardo
Portugal
Tóquio 2020
10
17,68 m
Christian Olsson
Suécia
Atenas 2004

* A marca do português Pedro Pichardo (17,71 m) foi conseguida nas eliminatórias de Tóquio 2020.[19] A marca do sueco Christian Olsson (17,68 m) foi conseguida nas eliminatórias de Atenas 2004.

Mulheres

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
15,67 m
Yulimar Rojas
Venezuela
ouro
Tóquio 2020
2
15,39 m
Françoise Mbango Etone
Camarões
ouro
Pequim 2008
3
15,33 m
Inessa Kravets
Ucrânia
ouro
Atlanta 1996
4
15,32 m
Hrysopiyi Devetzi
Grécia
Atenas 2004
15,32 m
Tatyana Lebedeva
Rússia
prata
Pequim 2008
6
15,30 m
Françoise Mbango Etone
Camarões
ouro
Atenas 2004
7
15,25 m
Hrysopiyi Devetzi
Grécia
prata
Atenas 2004
8
15,23 m
Hrysopiyi Devetzi
Grécia
bronze
Pequim 2008
9
15,20 m
Teresa Marinova
Bulgária
ouro
Sydney 2000
10
15,17 m
Caterine Ibargüen
Colômbia
ouro
Rio 2016

* A marca da grega Hrysopiyi Devetzi (15,32 m) foi conseguida nas eliminatórias de Atenas 2004.

Marcas da lusofonia

País
Masculino
Atleta
Ano
Local
Feminino
Atleta
Ano
Local
Portugal
17,98 m
Pedro Pichardo
2021
Tóquio
15,01 m
Patrícia Mamona
2021
Tóquio
[20][21]
Brasil
17,90 m
Jadel Gregório
2007
Belém
14,69 m
Núbia Soares
2018
Sotteville-lès-Rouen
[22]
Angola
16,43 m
António Santos
1988
Annaba
13,49 m
Teresa Nzola
1992
Angers
[23]
Moçambique
15,76 m
Pedro Noronha
1988
Gaborone
sem registro
[24]:608
Cabo Verde
14,60 m
Eder Pires
2012
Lisboa
11,81 m
Claudina Borges
2010
Lisboa
[25]

Referências

  1. Jonathan Silva é único triplista com índice
  2. «triplista». Dicionário Aulete. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  3. Koski, Rissanen & Tahvanainen (2004). Antiikin urheilu. Olympian kentiltä Rooman areenoille. [The Sports of Antiquity. From the Fields of Olympia to Roman Arenas.] Jyväskylä: Atena Kustannus Oy. ISBN 951-796-341-6
  4. Adams, Patricia (2006-03-01). History of the Highland Games and Women in Scottish Athletics. ...contained in the Irish "Book of Leinster", which was written in the twelfth century AD...this book describes the Tailteann Games held at Telltown, County Meath from 1829 BC until at least 554 BC...included in these events...were the geal-ruith (triple jump). Clan MacTavish Genealogy and History, 1 March 2006. Retrieved from http://www.dunardry.net/ladies_lounge.html Arquivado em 17 de maio de 2008, no Wayback Machine..
  5. «James Connolly». Sportsreference. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  6. a b «Triple jump». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  7. «Athletics at the 1996 Atlanta Summer Games: Women's Triple Jump». Sportsreference. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  8. «Jonathan Edwards». Sportsreference. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  9. «honours». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  10. «Da pista para a cátedra». CBAtl. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  11. «honours». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  12. a b c «All time best». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  13. «honours». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  14. «Pichardo dá ouro a Portugal. "Forma de agradecer ao país que me apoiou"». Diário de Notícias. Consultado em 5 agosto 2021 
  15. «IAAF Competition Rules 2012-2013» (PDF). Consultado em 18 de agosto de 2013 
  16. «All time best». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  17. «All time best». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  18. «48 PAST OLYMPIC GAMES». OIC. Consultado em 24 de abril de 2013 
  19. «TRIPLE JUMP MEN Summary». World Athletics. Consultado em 3 de agosto de 2021 
  20. «Para lá dos 15 metros e melhor do que alguma vez tinha feito. Veja o salto mágico de Patrícia Mamona». Observador. Consultado em 1 de agosto de 2021 
  21. «TRIPLE JUMP MEN Final». World Athletics. Consultado em 5 de agosto de 2021 
  22. «Recordes». CBat. Consultado em 1 de junho de 2021. Arquivado do original em 23 de setembro de 2015 
  23. «estatisticas». FAA. Consultado em 1 de setembro de 2015 
  24. «IAAF WORLD CHAMPIONSHIPS LONDON 2017 STATISTICS HANDBOOK». IAAF. 2017. Consultado em 3 de agosto de 2017 
  25. «Tabela de Records de Cabo Verde». FCA. Consultado em 1 de setembro de 2015. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 

Ligações externas

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